Restaurante caro e a meia garrafa

Não precisa ser especialista para perceber que o preço do vinho na maioria dos restaurantes de São Paulo é muito caro. Basta ver quanto custa uma garrafa de vinho no supermercado ou lojas especializadas e notar que o preço do varejo normalmente dobra nas cartas de restaurantes.
Além disso, como escrevi no meu blog de estréia, comecei a me interessar por vinho durante uma viagem à Argentina, em que eu e minha mulher passamos a olhar as cartas com maior curiosidade. E a comparação simples deixa claro como em Buenos Aires, por exemplo, a margem que os restaurantes impõem aos vinhos é bem menor do que aqui.
Não vou entrar no mérito dos motivos que levam a isso, se apenas a sede dos empresários em faturar o máximo ou do vilão de sempre, os impostos, que no Brasil são mesmo altos e eternamente usados como justificativa para preços abusivos. Vou relatar apenas o artifício que tenho usado para me defender, sem perder o prazer de saborear um bom vinho quando vou ao restaurante.
Simples e fácil: se ao abrir a carta você perceber que garrafas que no supermercado custam 20 a 30 reais estiverem entre 40 e 60, procure as meias garrafas. Para os vinhos tintos, que não são o tipo de bebida para tomar aos litros, a dose de 375 ml normalmente serve bem uma pessoa ou, dependendo de quanto se vai comer, até um casal. E é possível achar vinhos razoáveis por menos de R$ 35,00.
Ok, alguns dirão: talvez na meia garrafa a margem seja ainda mais abusiva. Mas por que pagar R$ 50 por uma garrafa, que você certamente não vai consumir integralmente, se se pode pagar R$ 30 pela meia? E quando os restaurantes não têm a meia garrafa – ou pelo menos não têm do vinho que você gostaria — há ainda a possibilidade do vinho em taça (nesse caso, a dose em geral é de 150 ml), na qual se paga entre R$ 15 e R$ 20 para o mesmo padrão de vinho.
Você vai pagar mais por mililitro consumido, mas para a conta final esses vinhos vão representar bem menos e isso é o que importa. Além disso, o vinho em doses menores permite variar na harmonização com pratos diferentes, em caso de uma refeição mais prolongada. Para uma entrada de mariscos ou uma salada Caesar, por exemplo, pode-se optar por meia garrafa de branco fresco, deixando o tinto para o prato de fundo, que pode ser uma carne vermelha, por exemplo. Dessa forma, haverá melhor harmonia do que se todo o jantar fosse regado apenas com um tinto – nada adequado para os primeiros pratos sugeridos.
Essa é a minha dica, aprendida a partir da sugestão de um sommelier num restaurante já há mais de um ano. Desde então, quando estou apenas com a minha mulher, tenho feito isso. É o jeito de não perder o prazer de tomar vinho, apesar das margens leoninas dos restaurantes.
Salud!

Patrício Alvino

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